segunda-feira, 22 de abril de 2013

Te quero

Estávamos corpo a corpo, grudados.
Apertei-o forte em meu peito. Me movimentei. Ele percebeu e me olhou na escuridão.

- Está tudo bem?
- Não vá embora.

Ele me olhou, e sorriu com o canto do lábio.

- Meu amor, mas para onde eu iria?

Como explicar para ele o furação que se passava em meu coração, que todas as manhãs entendia que a vida era para ser vivida. E que ela poderia transformar juras de amor em nada, em esquecimento. Como explicar que por baixo dessa mulher que o apoiava em todos os momentos, segura, confiante, existia o medo, a insegurança, o ciúme. Como explicar que ela percebia que o destino dos dois seria cruel, e que eles estavam adiando o sofrimento. Mas que o sofrimento estava todos os dias sussurrando no ouvido. Como contar que já fazia uma semana de pesadelos sem ele. Não era fácil apenas dizer "amor, acho que o mundo não me acha digna de ti". Como contar do coração apertado e dolorido todas as manhãs. Como contar dos meus temores se ele era todos os dias tão confiante.

- Só não vá.

E abracei-o novamente. Ele me abraçou. De alguma forma eu entendia o quão difícil era amar.


fim

"Então nos afastamos. Me deparei acessando uma área do chip do meu celular em que havia o histórico das nossas mensagens. E que mensagens! Os abraços se tornaram mais afastados, os dias mais atarefados e as lembranças, tornaram-se lembranças novamente. Por mais que novas ações me fizessem quase colocar como segundo plano nossas emoções, eu ainda fazia, todos os dias, a terapia de lembrar da gente. Eu ainda tinha a esperança do retorno, das promessas de amor, de te encontrar. Talvez eu não tenha mais esperança de nada. Eu não queria mentiras. Eu não queria conversas apagadas, muito menos confiança montada. Eu queria voltar a ser leve, então nos afastávamos. Crise. Caráter? Fiz uma lista de tudo que queria ainda fazer com você, desde visitar o Chile até andar a cavalo na praça do Grajaú. Coloquei-a no fundo da gaveta. Que ela permaneça por lá. Não quero me lembrar dos sonhos que tive, não quero chegar no lugar e me deparar com a lembrança do que sonhei com a gente lá. De preferência, não em lembrarei do seu nome, muito menos do seu endereço. Não me lembrarei de mais nada. Porque o meu tempo era agora. E você não estava me estimulando em nenhum momento a buscar estar do seu lado. Você estava se afastando, eu estava me afastando...só o tempo iria dizer o que seria de nós."

Segurei aquela carta.
Percebi que era o nosso fim.
E chorei.

terça-feira, 16 de abril de 2013

para ele

             Deitei ao lado dele naquela cama de solteiro, o colchão era tão antigo que estava marcado, nos obrigando a ficar mais juntos. Depois de tanto tempo, lá estava eu sentindo seu calor novamente, sentindo seu cheiro e escutando seu coração. Pensar que eu achava que as coisas poderiam estar fora do lugar, mas percebi que nada poderia destruir tudo o que eu e ele construímos, toda a certeza que tínhamos. Mas, para mim, o pior era sabermos que  a vida nos chamaria lá fora, e que aqueles dias de calmaria um ao lado do outro chegariam ao fim, a cada dia se aproximava o nosso retorno a vida real. 
            Nos olhamos na escuridão, seus olhos denunciavam a saudade, e me faziam sentir em casa, naqueles minutos nos olhando, escolhi me calar, percebi que apesar de tudo aqueles seriam os nossos minutos sem euforia e sem risadas, seriam os minutos de reconhecimento um do outro. Estávamos tão perto que nossos narizes se encostaram, senti seu ar, e respirei-o, como eu queria que ele estivesse em mim, que nunca mais saísse de mim. Em segundos todas as nossas melhores recordações pareciam tão vivas, minhas tatuagens do coração antes adormecidas pareciam estar pulsando em meu peito. Ele balançou o nariz dando um "beijinho de esquimó" e deu aquele meio sorriso, que só ele dava.
           Eu o amava, como o amava! Nos beijamos...pele, beijo, mordida, toque, abraço, mão com mão, mão no rosto, mão no cabelo, mão na perna, beijo, beijo, beijo...nosso melhor beijo estava de volta...
Deitamos de conchinha, estava quase dormindo quando ele sussurrou em meu ouvido: "te amo, sempre vou te amar", me puxando ainda mais perto de si, como eu queria que conseguíssemos nos fundir um no outro, como eu queria que nosso encontro não tivesse fim. Sentia que ele começava a chorar, e eu comecei a chorar também, mas não me virei continuei na mesma posição com os olhos fechados e as lágrimas escorrendo do meu rosto. "Queria que tudo isso não terminasse", eu disse. Ele passou a mão no meu cabelo. "Eu também não." Logo depois dormi, com a esperança de que o dia seguinte fosse o mesmo que o passado, que o tempo não estivesse passando, que teríamos o nosso para sempre, pra sempre.